quarta-feira, 31 de março de 2010

Caga latas

Hoje, um cliente que sabe tudo, que cherica por todo o lado, como faro de cão, e utiliza esse ardil para mover influências que o levaram a ser uma pessoa temida, odiada, mas aceite, numa sociedade que só se sabe relacionar nesta fórmula, falava com ódio indisfarçável da caça fortunas,
uma mulher com poderes mágicos que se tem aproveitado das fraquezas das pessoas para enriquecer.
Sorri, e pensei dizer, como quando era menina muito pequena, numa conversa de mulheres, onde se atirava para o ar as alcunhas das outras pessoas, e eu disse, muito naturalmente:
- E tu és a caga latas!

terça-feira, 30 de março de 2010

Martin Ramirez

Nasce no México em 1895; com 30 anos de pois de ter perdido a fazenda, durante a revolta dos Cristeros, deixa a mulher e os quatro filhos e emigra para os Estados Unidos, onde trabalha nos caminhos de ferro e noutros trabalhos esporádicos que vai desenrascando.
A Grande Depressão e a revolta dos Cristeros no México arrasaram-no.
Sem emprego, sem se conseguir fazer entender, vagueia pelas ruas, entra em depressão e rapidamente é internado. Primeiro como maníaco-depressivo e depois a amiga esquizofrenia.
Este senhor subiu todos os patamares.
Acaba por passar a vida numa instituição psiquiátrica, agarrado primeiro a pedaços de revistas, jornais, papéis de rebuçados, que colava com uma mistura de saliva , pão e batata, para depois desenhar, colar e colorir.
Na sua condição de tuberculoso, tinha de esconder os papéis debaixo do colchão para que as enfermeiras não os deitassem fora, não fossem contaminadas...
Foi mais tarde um médico, Tarmo Pasto, que se interessou pelos seus trabalhos e começou a fornecer-lhe os papéis e as cores, a coleccionar os desenhos e a promove-los. (o César Monteiro de Martin Ramirez).
Uma permanência de comboios, casas, túneis, virgens, cavalos e cavaleiros, cuidadosamente bordados a preto ou a cores deliciosamente enquadrados.
Curioso, não me parecem ser imagens de esquizofrenico.
Até há um barco, e não me apercebo que haja tormenta neste mar.
Este senhor é um artista.

Miséria

Sorry, Derb Kirkeeid
Hoje, estava a chegar do almoço e deparei-me com um personagem esparramado no sofá ,que estava ali mesmo à minha espera.
Olhei, e no Gabinete ao lado do meu, a Su debatia-se com mais uns.
Chamei o personagem, de fato preto mal pronto e camisa branca desabotoada, cabelos que caíam em fios longos, como uma teia baça, um bigode ao estilo sem estilo, e uns óculos que lhe escorregavam pelo nariz, quando se começou a descompor.
Pois tratava-se de um artista, pintor, autodenominado, que tinha feito um crédito para comprar uma máquina fotográfica, e que não tinha aquele tipo de inteligência que o levava a lidar com as contas.
Eu, como afirmava a personagem, não era artista, tinha uma cabeça diferente, percebia aquelas coisas.
E eu ainda tentei, mas não fui longe.
Porque o personagem chamou-me antipática, sem inteligência, incompetente e ainda me perguntou se sabia o que era o livro amarelo.
Não parava de se ouvir.
E lá saiu, tristemente convencido que é um autodenominado artista pintor.
Vi a miséria.

segunda-feira, 29 de março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

Música

Reencontrei a música do corpo.
Um regresso sentido com prazer.
Somos dois e somos um.

sábado, 27 de março de 2010

Corpo

Retomar o corpo
saborear o tacto,
calor
Gu Gan, aguarela

quinta-feira, 25 de março de 2010

Imagens

Não sei a razão de me sentir atraída por este tipo de imagem, se é o colorido no papel, a sua textura ou o brilho.
Sei que estas imagens antigas que colávamos nos cadernos, me confortam.
Lembro-me de muitas vezes não as ter utilizado, porque o caderno iria ter um fim, e as imagens como estavam, seriam sempre, aquelas imagens.
Há muitos anos reencontrei-as em Lisboa em papelarias em fim de vida, que me fascinavam, com pequenos balcões de madeira e prateleiras de onde surgiam aquelas preciosidades.
Espaços de um tempo antigo, como as imagens que me mostravam.
Penso que talvez, porque ainda me sentisse colada a elas, como quando era menina, nunca mais me deixaram.
Com alguma frequência ocorre-me utilizar essas imagens, mas adio sempre.
Seja o que fôr que faça, teria o seu fim.
E as imagens continuam guardadas nos envelopes,
dentro de folhas que as protegem do passar do tempo.
Vão amarelecendo.

Ismael Lo

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ardência

ouço a respiração,
e deixo-me embalar,
nos cheiros deste fim de tarde,
nos galhos entrelaçados das árvores dobradas,
e num arfar crescendo,
vou saboreando a ardência
destes dias que me percorrem.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Mãos

Sempre gostei das minhas mãos de dedos magros e unhas roídas.
Agora que a pele sobra, e os dedos tomam outros caminhos,
deixei de roer as unhas.
Estranho

domingo, 21 de março de 2010

Savon Noir

E fica um odor a azeitona e cânfora,
que impregna a pele e amacia o tacto
Savon noir...

Pedigree na Europa, ...

Encontraram-se, para assistir a um espectáculo, e foram apresentadas, pela amiga comum, que sublinhou não conhecer ninguém com tanto pedigree como a A., que é portuguesa de origem francesa.
Tudo isto se passa entre três mulheres, 2 senhoras portuguesas e uma indiana que têm em comum a paixão pela história das coisas e a eficácia na sua procura.
Quando a senhora indiana, de uma extrema educação, ouviu os nomes de família da A., só foi capaz de exclamar:
-I'm fascinated about your name, where did you get it?
A minha amiga A., explicou que a familia do pai era francesa e daí o nome.
Quando chegou a casa, ainda a pensar na surpresa da senhora indiana sobre o seu nome de família, comentou com uma das filhas, que a lembrou de uma cena que tinha ocorrido numa viagem que tinham feito à India, e então a tal surpresa era porque em hindi, o nome de familia quer dizer cebola frita.
Aí rimo-nos, perdidamente, a Ana a comentar a delicadeza da senhora que não lhe fez mais perguntas sobre o nome e eu a pensar na surpresa da senhora indiana a pensar que na Europa as pessoas pedigree têm nomes como cebola frita.
Delicioso.

Uma pausa

Tenho uma amiga que habita os espaços com os seus heterónimos, anjos ou demónios, que a vestem e destapam ao sabor da vida.
O espaço, como a vida, tem um tempo.
Se há personagens fortes e criativas, a minha M., é.

Panos e cheiros

O horizonte adensa-se.
A roupa num esvoaçar lento, em magenta e açafrão,
numa antecipação da cor que tardava.
O primeiro jasmim embala-me no cheiro
que se espreguiça na mansidão da tarde.
E os pássaros?
Invariavelmente ao entardecer,
passam por aqui....

sexta-feira, 19 de março de 2010

Prashant Miranda

Bon Iver

Panos

Panos, panos,
são sons que oferecem sabor ao tacto.
A cor, a ausência,
a textura.
Conforto

Grigori Perelman

Matemático russo, o primeiro a recusar o prémio Fields em 2006.
O prémio é atribuido de quatro em quatro anos.
Dizem, que este ano, a nega se pode repetir.
Mentes absurdamente brilhantes.
"he was unworthy of all the attention, and was uninterested in his windfall." "I do not think anything that I say can be of the slightest public interest, I am not saying that because I value my privacy, or that I am doing anything I want to hide. There are no top-secret projects going on here. I just believe the public has no interest in me." "I know that self-promotion happens a lot and if people want to do that, good luck to them, but I do not regard it as a positive thing. I realised this a long time ago and nobody is going to change my mind. "Newspapers should be more discerning over who they write about. They should have more taste. As far as I am concerned, I can't offer anything for their readers.
"I don't base that on any negative experiences with the press, although they have been making up nonsense about my father being a famous physicist. It's just plain and simply that I don't care what anybody writes about me at all."

quinta-feira, 18 de março de 2010

"O Sorriso aos Pés da Escada"

Miller , 1946
Hoje, sinto-me,
" O Sorriso aos Pés da Escada".
Aceito e habito a multiplicidade.
Somos tantos e somos um,
sempre com um....................................... sorriso ao pés da escada

domingo, 7 de março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

Jaipur- Umaid Bhawan Hotel

Em Jaipur, o hotel Umaid Bhawan , situado numa zona calma e elegante, no estilo colonial, oferece este deleite por 1 800 INR.
Através de inúmeras buscas, encontrei as melhores referências no Routard, Tripadvisor, e Lonely Planet; todos eles falam da satisfação no serviço familiar, decoração, amplos terraços, limpeza, caracter.
E o endereço fica registado:
D1-2A,Behind Collectorate, (Via) Bank Road, Bani Park, Jaipur-302016, Rajasthan, INDIA

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cor

Preciso de cor.
Os tons enlameados destes últimos meses, fazem-me sentir suja.
Gosto da luz que só o sol e o calor sabem. Sem preconceitos,
a chuva o cinzento a terra ensopada , não fazem parte das minhas boas ondas...