quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Um mar

Cheguei de um poço,
onde não havia mar.
Bebi a névoa que o cheiro trazia,
em cestos de areia.
Cheguei e vi o mar,
Um mar,
contigo_____

sábado, 25 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Gloria Gaddis

Gloria Gaddis

Entre dois lugares

Hoje pela tardinha, já amornecia, encostei-me a uma parede cálida, a ver passar figuras, que pareciam saídas de um filme antigo.
Abrigada numa ruela estreita, entre prédios altos e paredes brancas, uma escola de música, um café e um teatro.
As janelas estavam abertas, com miúdos a versejarem as teclas,
simples, delicioso.
Detive-me numa mulher frágil, que anda sempre por ali, serigaita e ondulante, a deslizar pela calçada, e a olhar para todos os lados; fui-a perdendo de vista,
Alonguei-me no olhar e, segui o dono duma loja, que vende roupa hilariantemente cara, e que subia a rua, indiferente, de braços estendidos, com o seu ar símio.
Lembrei-me da loja no Centro, em Carnaxide. Da dona, uma mulher, inchada, menopausica, imagino. Insuportável, nas suas tiradas histéricas.
Vestia sempre, túnicas esvoaçantes, com pretos e cores vibrantes, que distraíam as misérias da carne. As clientes, eram mulheres que procuravam tamanhos grandes, que se cobrem de panos e se maquilham furiosamente.
Vi sair do café, o dono da sapataria, num passo apressado e cabisbaixo, em direcção à loja. Sempre,
uma imagem inquieta.
Lembrei-me de quando passo por ali, e não o vejo à porta, de mãos atrás das costas, num sorriso engelhado, que culmina num esgar, e olho para dentro da loja e não o vejo, interrogo-me sempre por onde andará.
Talvez neste café; fica ali tão perto, e os clientes escasseiam cada vez mais.
A música, entretanto deixou de se ouvir, e as imagens desvaneceram-se, a calçada ondulou até se ajeitar sozinha,
em casa.

sábado, 18 de setembro de 2010

A eternidade é errante

Era sempre assim, quando varria o quintal.
Atirava um balde cheio de água e sabão, e esfregava a pedra com uma vassoura de cerdas rijas.
Um prazer, ver as pedras secarem ao sol, ou, à tardinha com laivos de ouro e rosa.
Estou a aprender que a eternidade é errante.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Viagem

Sentia Orccha como um fascínio, os rostos, a cor do Rajashtan, a pedra, os papéis.
Coisas que levava para a cama, numa amalgama de sentimentos.
Ela e a viagem.

"Elefanta em pontas"

Transfigurada pela musicalidade de Yann Tiersen, deparei-me com esta caricatura do sec XIX, de George Cruikshank, uma elefanta em pontas...,
curioso.

Laxma Goud

Laxma Goud na Aicon Gallery

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pedras

As pedras são um fascínio,
Minúsculas, pesadas, ou portáteis.
As que pertencem à praia, trazidas pelas marés que as soltam, vindas de outros lugares, outros cheiros.
As do campo, terra endurecida, mostram-se com as cores e a luz dos lugares que habitam.
As das calçadas,
antigas, lustrosas, difíceis, apelativas.
Memória definitiva, do tempo e dos lugares, por onde passamos.

The Swell Seasons

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Silves

Silves ao entardecer é um deslumbramento. São de ouro, os tons que enrubescem as pedras e entram pela noite plácida, acolhendo cheiros doces, inequívocos, enquanto subimos a calçada numa toada antiga.
Às minhas origens.
Ruelas, casas baixas, pés descalços, que me lembro, deslizarem nas pedras reluzentes de séculos.
O cheiro dos figos e as amêndoas, em tabuleiros na açoteia.
O chão.
E o castelo, a volumetria da Sé, a inclinação da calçada, as casas renascidas, as ruínas, memórias.
Xelb

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lisa Ekdahl

Monchique

Voltei a Monchique, para descer às Caldas, e reviver, as sanduiches de presunto, refrescadas com as laranjadas da época, que sabiam a laranja descascada.
Estive nas Termas, onde o antigo hotel está a funcionar, com bom ar, e as casas em estilo moçarabe, num romantismo que se cola ali na perfeição, e lhe conferem uma dignidade que convida ao silêncio, um silêncio onde algum som de Tord Gustavsen podia pertencer.
Seria sublime
Ia curiosa, sendo este um dos lugares onde a minha imaginação bordeja, quando me lembro dos passeios a Monchique com os meus pais, ansiosa por descer àquele sítio que os meus olhos adivinhavam, assim...
Subir até à Fóia.
1000 mts de serra, onde o olhar se alonga, desde o Cabo de São Vicente até à Serra da Arrábida
Seria um deslumbramento, se a neblina não existisse.
Mas Monchique é assim.
As coisas não estão ali à nossa espera.