domingo, 28 de novembro de 2010

O caminho

Os passos ritmavam o andar.
Tinha deixado as portas abertas .
Hoje, achou que o lixo ficava muito longe e que a casa estava aberta e os cães lá encima.
Não ladravam, e o lixo era longe, o saco estava pesado.
Quando lá chegou a arfar, largou o saco e retomou o caminho,
que não reconheceu, até chegar a casa.

sábado, 27 de novembro de 2010

Objectos

Fascinam-me os objectos, a identificação do gosto.
Não os desejo, a não ser pelo prazer que me dão quando os descubro, sem pressa.
Como estes que encontrei no Etsy, e que me acariciaram o olhar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rostos da India

Fiquei cativada com aquele olhar que, como eu, se apoiava numa bengala e fumava bidis.
Partilhámos o thai enquanto outros se iam juntando a observar duas mulheres que vinham de um País muito pequeno e que também fumavam bidis.
Boa disposição num lugar algures no Rajastão, onde me apercebi que também havia um médico e um barbeiro.
Um luxo.

Penguin Cafe Orchestra

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Adormece

A tristeza,
a dor,
arrastam o sono para um lugar
onde a morte habita o sonho.
Sem pressa,
num estertor,
adormece.

Sinais

Não sei a razão porque tirei a foto da matrícula de um carro que não me dizia nada.
A luz que me rodeava, sim, a claridade daquele céu na Charneca era sublime.
Vinda de céus coados em cinza foi com sabor que reencontrei o azul.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Bundi

Em Bundi percorri as ruas apoiada numa bengala e deliciei-me.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Jeffrey Stockbridge

Castanhas assadas

Ontem a minha colega estava com um desejo por castanhas que me contagiou.
Lembrei-me das sopas de feijão no Bairro do Arco do Cego em Lisboa, quando estava de esperanças, e arrancámos rua do Conservatório acima, até ao lugar onde poderia estar o carrinho do vendedor de castanhas.
Não estava, nem ali nem no fim da rua.
Regressámos a rir; falei-lhe de mim, do desejo pela tal sopa de feijão e enquanto gargalhava, lembrei-me do meu pai.
Hoje, quando fomos almoçar, lá estava um carrinho na rua e ao concordarmos em passar por lá na volta, penso que ambas chegámos a duvidar de que o iríamos encontrar, e rimos.
Estava, e ainda ficámos, enquanto as castanhas assavam, dez minutos à conversa com ele, um alentejano de Santiago do Cacém, que há cinquenta anos está em Portimão, a vender castanha assada desde os doze e a quem vêm, de propósito, buscá-las, primorosamente assadas.
Um descuido nos últimos segundos, faz a diferença entre uma castanha e um pedaço de carvão.
E estas estavam no ponto, até no sal, o que me leva a suspeitar de que a ASAE ainda não se lembrou deste negócio sazonal.
Em conversa, apercebi-me que também tinha conhecido o Zé Vilhena do Cercal, onde se comia uma sopa e, por vezes, uma galinha divinais, quando as batatas fritas e os ovos estrelados que devorávamos no Zé Manel na Ilha de Porto Covo, j á não confortavam.
Entretanto, ia-nos dando a provar as castanhas, eu a perguntar se as congelava, e ele a responder-me que agora vão para o frio, mas antigamente, por esta época, enterrava-as em areia seca, e vendia-as em Janeiro.
Não tinha notas e deu-nos o troco em moedas e "dois palmos de castanhas," como ele disse, não embrulhadas em jornal, mas em papel pardo que também se molda e guarda o calor.
Vai tudo da mão que entrega, e da que recebe...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"Green Delhi"

Cheguei a Delhi estavam a decorrer os "Commonwealth Games", rodeados de um enorme aparato policial, com polícias atrás de barricadas, nas ruas, e estacionados em todos os lugares públicos.
Havia faixas só para os autocarros dos Jogos, que alguns tentavam ocupar e que muitas vezes se arrependiam.
Fui sempre abordada, na esperança de me ouvirem responder que a razão da minha ida a Delhi tinha sido para assistir aos Jogos, e sempre se desiludiram quando lhes respondia que não.
Nos concertos, ao fim do dia, não me apercebi de outro tipo de público que não fosse o que parecia ser o habitual.
Delhi estava a viver o fascínio por si mesma; inundada de cartazes, onde se lia" Green Delhi".
Ironia, numa cidade onde o verde se vê cinza e o azul desmaia.
Onde se varre meticulosamente os espaços que se habita, e se coloca o lixo em monte para ser utilizado durante o dia pela mão, ou boca, que por lá passe. E este ritual, repete-se diariamente com o monte a crescer, a espalhar-se e a confundir-se com os indigentes, que por lá se arrastam.
A poluição pesa na respiração e tinge a pele.
É proibido fumar em Delhi.
Há imensos parques verdes, herança dos ingleses, onde a minoria que tem acesso, se passeia ao passo que lhe convém.
Delhi entreabriu a porta, e eu entrei a medo. A cor era cinzenta e, o cheiro pesado, entranhava-se.

Ravi Shankar e Philip Glass

Amritsar

Foi difícil apreender Amritsar; a quietude e fascínio que aquele lugar me inspirava nas projecções que fui fazendo nas imagens que sorvia, faltava.
Faltava a essência, ela existe, mas eu não fui capaz de a captar.
Mesmo depois de ter estado naquela imensa fila de pessoas, que aguardavam pacientemente a sua vez para entrar no Templo, com as oferendas dentro de folhas secas, lindíssimo.
Fiquei-me pela grandiosidade daquele espaço, lentamente, onde milhares de pessoas se cruzam e onde encontrei serenidade.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Rostos da India

Lembro-me de me aperceber destes dois rostos, lindíssimos, no meio de tantos outros e de os ter fixado.
Impressionou-me a lonjura daquela expressão.
Curioso, os bébés na Índia não chorarem. Franzinos e colados às mães, até terem força para se bastarem; a má nutrição não os deixa protestar, estão letárgicos.
No mercado de Bundi, esta vendedora surpreendeu-me o olhar, e fixou-me sempre com a mesma expressão.