sábado, 14 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Prashant Miranda

 Prash, encanta-me sempre
a subtileza no traço,
e a cor,
uma carícia

                                                                   

sábado, 7 de maio de 2011

Queimar o tempo



Porque parei à porta da padaria a fumar um cigarro, compulsivamente, enquanto pedia que me embrulhassem duas bolas de berlim, a empregada contou a história;
Deixou de fumar porque quis, foi vontade dela; sempre que o filho e o marido, que já tinham deixado de o fazer, a pressionavam para fazer o mesmo, irritava-se, pegava noutro cigarro.
Contou-me que tem  uma fragilidade no pulmão e sempre que ia ao o médico era a mesma história.
Até que naquela noite,  sentiu uma falta de ar insistente e dolorosa; o coração pulsava vigorosamente e depois parava, estremecia... 
Durou horas.
No outro dia, deitou o maço de cigarros fora, e nunca mais fumou.
Sente-se muito melhor
A irmã, não, não consegue deixar de fumar. 
Ela faz com a irmã o que o marido e o filho faziam com ela, tem noção disso, mas não consegue deixar de o fazer.
Começou por me dizer que há pessoas que têm força de vontade, mas a irmã não. 
São dois maços por dia
Não se pode condenar, apontar, sem se saber a história, disse:
- Ela é muito nervosa, já esteve internada.... 
é o filho, com dois anos sofreu queimaduras em 80% do corpo. Fizeram enxertos de pele de cadáver que veio de fora, operações plásticas, mas é um menino queimado. 
Se a senhora visse os olhos dele...A minha irmã vive no terror da aproximação das datas dos exames e dos hospitais.
Já se tentou suicidar. Quando vou lá a casa aos fins de semana para a ajudar a fazer o almoço, está sempre a desaparecer para fumar. Acabo eu por fazer o almoço sozinha, não me importo.
Quando nos sentamos à mesa, come bem, pausadamente, olhar calmo, isso é. Mas no fim começo a perceber a ansiedade em se  levantar para ir fumar outro cigarro.
Sou eu que lhe chego a dizer, levanta-te e vai lá fumar.
A senhora vê, para a minha irmã é muito difícil.
Entretanto já tinha apagado o cigarro há muito e fiquei a pensar nos dois confortos daquela mulher:
Queimar o tempo.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dia claro

Dia claro,   veleiro no horizonte,    olhar apaziguado

terça-feira, 3 de maio de 2011

Quintal

Um caminho de relva está atapetado de flores brancas, deliciosas. 
Gosto assim,interrompe a solidão da relva.
Contornei o quintal e apercebi-me da roseira, galhos e botões, amarfanhados pela malva da mesma cor de sangue que tinge aquele canto e se estende por todo o lado; cortei ramos e deixei as plantas sorver o ar, sem nesgas. 
Aproximei-me  das folhas da pequena roseira que está ao pé do portão, devoradas,pacientemente, por pequenas lesmas,  verde folha. Fui a correr buscar hortelã e louro e batizei a roseira com lascas das folhas que ia desfazendo.
Talvez não apreciassem aquele cheiro intenso
Sentei-me no chão à espera que as ditas se afastassem. 

O oposto. 

Não se foram embora e lentamente já se acercavam outras, todas verde folha.



Decidi-me a acabar com elas. Sem desprazer, amanhã vou até à farmácia falar da doença e pedir a cura.